Deixe-me explicar. Sempre guardei objetos que me trazem lembranças, tenho muitos.
Achei dentro de uma caixinha de madeira que ganhei quando criança de minha avó, uma guitarra projetada num arame arrancado do plástico que o envolvia quando fechava o saco de pão. Aquilo realmente me voltava aos meus 14 anos e as coisas que vivi naquela época. Pesava 44 quilos, fazia teatro e era feia, bem feinha.
Passei os dedos por alguns livros, quem me conhece sabe o quanto gosto deles, por isso sempre ganhei-os de presente. Mas o que despertou a minha atenção foram as dedicatórias. Um "Eu te amo" num, um "Que te acrescente" noutro...
Percebi que tirei o dia para sentir todas as dores de uma só vez quando achei dentro de um dos livros guardados uma flor, a flor que eu dei para minha mãe no dia das mães, e e não é que ela guardou? Encontrei a pequena quando tive que esvaziar o apartamento dela. Então trouxe-a comigo.
Mas o que me doeu mesmo foi o que não encontrei.
As promessas não cumpridas, as perguntas sem respostas, os gestos não explicados.
2 comentários:
A vida é feita também de "promessas não cumpridas, perguntas sem respostas e de gestos não explicados". Eles doem, é verdade. Mas, em contrapartida, ensinam e nos fazem crescer, não é verdade?
(você era feia? Difícil acreditar... rsrs)
Lindo texto, Mari.
Grande Beijo!
Cadê os novos textos??? rs
Bj.
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