domingo, 22 de janeiro de 2012

A Carta.

Rio de Janeiro, 25 de agosto de 2003.

Querido John,

Escrevo-lhe agora porque não tenho coragem de balbuciar tais palavras, como sabe, não gosto de mostrar essas coisas que para mim deveriam estar sob total proteção da razão.

Como pode virar meu mundo de cabeça para baixo com apenas um olhar, embrulhar meu estômago com seu sorriso e fazer saltar de meu peito esse coração que já não sabia mais o que significava importar-se com alguém?

Foi dessa maneira que comecei a enxergar novamente que voltei a ser menina perto de ti. E que todas aquelas coisas que guardei na sola do sapato para serem pisadas, começaram a saltar sob meus olhos.

Minha razão está em guerra com minha emoção. Elas não sabem mais que armas usar para me fazer ser uma pessoa com total controle ao caminhar. Pois é, este carnaval com tantas cerpentinas arremessadas contra mim me fazem pensar que estou completamente fora da órbita.

Quando o vi pela primeira vez, criei dentro do meu mundo um personagem com todas as suas características. E esse personagem me acompanhou até ontem, me apaixonei por ele de uma maneira tão pura e verdadeira que me sentia completa. Confesso que esse amor platônico só existiu por não achar possível que haveriam maneiras de acontecer aqui, do lado de fora.

Me sinto obrigada a confessar também que você se tornou a cada dia meu homem perfeito. Trocamos ideias, dormimos tão agarrados que me senti protegida como nunca havia, já cozinhei pra você, e você adorou, acredite!

Ontem quando me roubou aquele beijo, senti meu corpo inteiro arrepiar-se. Sua língua roçando na minha com tamanha intensidade, nossos lábios desejando com tanta vontade um ao outro, que faz cair por terra todos os meus conceitos até então formados.

Meu personagem despediu-se rapidamente de mim por explicar que não cabe mais estar presente agora que você resolveu tirá-lo de cena, mal consegui vê-lo entrar na coxia.

Agora, não sei mais o que fazer.

Com carinho,

May

Um comentário:

Bípede Implume disse...

Olá Mariana
Para já duas coisa em comum: minha mãe se chamava Mariana, e sou Balança.
E sonhar é a única coisa que não nos podem tirar. Continue, pois, sonhando.
Grande abraço de Lisboa.
Isabel